quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A saga do gordo-careca

Episódio 4

Enquanto esperava para ir ao show eu bebia cerveja e assistia Two and a Half Man na TV. Super descontraído né? Não, na verdade aquilo era um corpo morto bebendo e olhando pra uma caixa que passa imagens. A minha cabeça não via nenhuma das piadas engraçadinhas dessa comédia americana, ela só imaginava como seria a noite e me fazia suar feito um louco. Quando assustei faltavam 2h pro encontro e eu tinha uma blusa com duas “pizzas” embaixo do sobaco. Desesperei e corri para um banho de emergência.

Logo após já rumei para o ponto de ônibus. Passei na padaria e comprei uma garrafa de vinho barato e bebi metade no ponto e a outra metade no busú. Estava levemente embriagado quando avistei minha diva. Fingi não vê-la (essa é uma boa tática quando não sabe o que falar no momento do encontro), ela veio em minha direção enquanto eu fumava meu cigarro de palha (“Navio de cruzar deserto”) e me disse: “Olá estranho”, eu sorri e perguntei se tinha muito tempo que ela estava ali e que nem tinha visto ela. Pausa para um parêntese gigante:

(O porquê de esta tática ser necessária é que eu estava na porta do bar havia exatamente 5 minutos, mas estes foram muito longos. E quando se espera demais e acha que a pessoa não virá é tenso, e você começa a imaginar coisas, e fica meio retardado – isso quando se é como eu. Mas o que acontece é que ao falar que não tinha visto ela eu inventei uma maneira melhor do que qualquer outra que eu poderia dizer ao cumprimentá-la. Eu poderia ter dito: “Olá, já estava quase indo embora achando que você não viria por que estava dando para outro”, ou “Nossa, bonita roupa” e ela responderia “Não é não, eu estou de pijama”. Ao dizer “Nem te vi, ta aí há muito tempo?” eu além de parecer que não estava ansioso eu ainda dei a entender que tinha acabado de chegar também e que eu não queria deixá-la esperando, o que é bastante cavalheiro. E eu não sei porque estou explicando isso, acho que é porque eu fiquei tenso e com medo de vocês acharem que eu sou um cara bundão que finge que não vê as pessoas por vergonha, aí eu disparo a falar quando fico tenso, e aí eu falo “e aí” um trilhão de vezes e não fecho as aspas nem fodendo.)

Entramos para o show que, assim como todos os shows de rock, atrasou cerca de 3h para começar. Enquanto esperávamos bebemos algumas cervejas e cachaça. Eu não agüentava mais beber, mas não podia admitir, tinha que ser resistente à bebida. E eu viajava nela, observava como ela era linda, o modo de falar, de ouvir mordendo os lábios, a gargalhada super-escandolasa, porém estranhamente deliciosa, a maneira de tragar o cigarro, tudo dela parecia mais maravilhoso.

Uma coisa nela que, por mais nada sexy que pareça, me atraiu bastante foi como ela bebia. Bebia como uma égua e não ficava tonta (ou não demonstrava ficar pelo menos). Me contou que tinha bebido a tarde inteira no bar com amigos (me enciumei todo), derramou uma garrafa de Martini pra dentro de si no caminho pro show e bebera tudo comigo lá. E eu que tinha bebido 3 latinhas de cerveja e uma garrafa de vinho (e pesava 120 Kg) já estava achando que iria vomitar. A minha solução foi falar que não tinha mais dinheiro para beber, mas foi uma decisão muito idiota. Ela me sustentou com pingas o resto da noite, e eu realmente terminaria por vomitar em minha casa.

Foi durante o show que algo belo e ao mesmo tempo ridículo me aconteceu. As músicas iam e nós dois cantávamos empolgados. Na verdade eu cantava e ela apenas ouvia. Não que ela não conhecesse, ela conhecia todas as músicas, mas não sabia cantar praticamente nenhuma devido a um distúrbio que ela tinha que fazia com que não conseguisse decorar letras. Mas o que importa não é isso. O álcool me subiu a cabeça, a empolgação das músicas do mestre me fez perder todo o controle do meu corpo e fazer algo extremamente ridículo.

Começava a tocar uma música muito simpática por sinal, e eu totalmente bêbado a peguei pela mão e comecei a dançar (não sei se todos já observaram, mas gordo dançando já é ridículo por si só), mas o problema é que eu dançava, girava e quando a banda começou a cantar, eu me ajoelhei a seus pés e cantei olhando para ela. Ela ria da dança, mas quando eu ajoelhei ela se envergonhou e suas bochechas ficaram todas rosadas e seu queixo tremia parecendo quer ela despencaria a chorar a qualquer momento. Ela percebia que o que eu cantava era realmente de coração, e às vezes as coisas do coração envergonham. A música era mais ou menos assim:



Quando o navio finalmente alcança a terra
E o mastro da nossa bandeira se enterra no chão
Eu vou poder pegar em sua mão
Falar de coisas que eu não disse ainda não
Coisas do Coração

Quando a gente se tornar rima perfeita
E assim virarmos de repente uma palavra só
Igual a um nó que nunca se desfaz
Famintos um do outro como canibais
Paixão e nada mais

Somos a reposta exata do que a gente perguntou
entregues num abraço que sufoca o próprio amor
Cada um de nós é o resultado da união
De duas mãos coladas numa mesma oração
Coisas do Coração


Mas o mais legal disso tudo não foi a minha vergonha depois do acontecido, mas sim a reação da minha musa...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A saga do gordo-careca

Episódio 3



Do lado de fora do bar ela bebeu toda a minha cachaça, mas me comprou outra. Disse que odiava aquele cara profundamente. Me enciumei ao pensar que talvez ela o odiasse por já ter tido alguma coisa com o machão. Perguntei por que, e foi então que eu ouvi a resposta mais linda de todos os tempos: ele não faz o meu tipo. É tão difícil achar mulher inteligente hoje em dia. Dizem que é difícil achar homem assim, mas como não procuro um homem, notei que mulheres inteligentes sim, são raras. Ela conseguiu me desinibir, tanto me enchendo de pinga, como com seu papo super sincero e descontraído.

Jogamos uma partida de sinuca, eu quis pagar, mas ela declarou que o perdedor pagaria com a ficha e também a dignidade. Eu fiquei com medo da aposta, mas topei pra mostrar que era macho e confiante. Perdi, é lógico. Ela era linda, e louca. Jogava fazendo caras e bocas, colocava uma perna na mesa e lambia os lábios. Era sensual mesmo sem saber, foi aí que a roupa estranha me pareceu extremamente provocante.

Após a minha broxante derrota, ela muito me caçoou. Eu fiquei sem graça, paguei a ficha e nem citei a dignidade para que ela não se lembrasse. Sentamos na mesa, ela me pagou mais uma cachaça. E então ela disse, “com tanta cachaça eu nem precisa ter ganhado para ganhar a sua dignidade”. E sorriu. Aqueles dentes perfeitos e brancos brilhavam e quase me hipnotizavam. Eu tremi novamente, e ela pegou na minha mão.

Ficamos nessa. Ela pegando na minha mão, na minha perna, e eu apenas rindo sem graça. Conversamos sobre tudo. Contei pra ela que eu nem gostava daquela gritaria que tocava. Falei que preferia um Elvis Presley, ela já falou que também não gostava, preferia um Raulzito. Eu quase chorei, de verdade, nesta hora. Eu menti quando disse do Rei do rock. Minha única paixão era Raul. Meu filho levará seu nome, se é que ele existirá. Fui sincero mais uma vez.

Na outra semana haveria um show de covers de Raul, ali, naquele mesmo bat bar, naquele bat inferninho, naquela bat hora. Estava marcado o próximo encontro. Trocamos telefone e fomos embora. Ela de carro e eu de balaio. Nunca pensei tanto em uma pessoa que eu conheci tão pouco. Sonhei com ela quase todas as noites daquela semana. Pensei em ligar, mas lembrei daquelas dicas de revista de mulherzinha falando pra nunca ligar depois de um encontro.

Resisti bravamente assim como resistiram os comunistas na época da ditadura. Ouvi dizer que toda resistência visa o poder, eu resistia realmente desejando poder tê-la. Finalmente chegou sexta-feira. Cheguei do meu serviço sorrindo como nunca o fiz. Tomei o banho mais demorado que de noiva em dia de casório. Vesti uma das poucas roupas que eu realmente gostava. Um bermudão velho, uma blusa simples, uma sandalinha de couro, penteei minha careca, me lotei de perfume barato dessas revistinhas, e pronto, era um homem pronto para a guerra. Agora só me faltava esperar as 5h que faltavam para o show.

domingo, 30 de novembro de 2008

A saga do gordo-careca

Episódio 2

Mas bem, imaginem um show em um lugar pequeno, muito pequeno. Tão pequeno que o nome merecidamente dado pelo público é “inferninho”. É um quarto de uns 10 metros quadrados, com cerca de 80 pessoas e uma banda, sendo que 60 destas, fumam seus cigarros e outras coisas do gênero. O local é abafado, mesmo com ar condicionado, você escorre suor por todos os seus poros. Os amplificadores são tão altos que é impossível que se converse sem gritar no ouvido do outro. Dá até pra sentir seus órgãos internos vibrando com as ondas do som. A música é um rock desses qualquer, bem barulhento mesmo, com direito a berros esganiçados de um cabeludo com cara de drogado. Por mais que você goste, é difícil agüentar por muito tempo.

Pois lá estava eu, ocupando mais espaço do que ocupam as pessoas normais. Minha careca precoce esguichava suor muito além do normal. Eu estava mais bêbado do que costumava ficar, via a sala girar o tempo todo. Fumava um cigarro de palha que se apagava toda hora. Uma boa técnica para se intimar alguma guria por fogo. A banda tocava e chamava a cada duas músicas ,o bonitão que eu comentei anteriormente para cantar, tocar gaita de foles, dançar em cima dos amplificadores, e por fim, chamar uma garota do público para ser a premiada com um delicioso beijo do astro, tipo Bono.

Mas foi então que algo muito estranho me aconteceu. Eu sempre pedia isqueiro, mas isso foi diferente. Eu falei com a garota no intervalo de uma música e outra, e ela não apenas me emprestou, como chegou mais perto e ficou conversando com a minha pessoa. Minha cabeça despelada escorria, agora de tensão, não mais de calor. Ela perguntou se eu tinha um cigarrim de palha pra ela, lógico que eu tinha, tinha na verdade um maço há mais de quatro semanas. Ela perguntou o que eu bebia, eu levantei um copo descartável e disse que era cachaça da mais fudida. Expliquei que não era por falta de dinheiro, mas mais por princípios. Detestava pagar 3 reais em uma cerveja sendo que com 1 eu comprava um copo lagoinha cheio de pinga e ficava legal. Acho que foi a primeira vez que falei algo verdadeiramente meu dito a uma mulher.

Ela pediu um gole. Pai do céu, como uma menina tão bonita bebeu no mesmo copo que a minha boca nojenta lambuzou? E como era bonita. Ela era baixinha, tinha um cabelo diferente, ruivo, curto, com uma leve franjinha, comum, porém muito mais lindo que os cabelos convencionais. Tinha uns olhos expressivos que pareciam nunca mentir. Uma boca tão bem desenhada que parecia ter sido pintada por alguém que a amava muito, e que queria que ela fosse mais que perfeita quando nascesse. O corpo era perfeito: seios fartos, bumbum na medida, coxas finas, mas que davam vontade de lamber até que sumissem. As roupas dela não eram muito normais, sabe essas roupas de professora de português? Mas enfim, ela era estranha, porém maravilhosa, e além de tudo, inteligente.

Enquanto a música tocava, o mestre da casa fazia um streep no palco e as mulheres gritavam para serem a escolhida para beijar o príncipe. Ela não, ela olhava pra mim de vez em quando. Isso é que me deixava mais louco, eu queria olhar pra ela o tempo inteiro, mas ela olhava pra mim e sorria, e meu rosto ficava em chamas e eu olhava para o palco, fechava meus olhos, fazia tudo que eu costumava fazer quando estava encenando. Mas foi então que ele, praticamente que para me sacanear, escolheu a minha musa para lhe beijar. Minha alegria interna foi todinha para a casa do caralho. Ainda bem que aquela crise depressiva passou rápido. Ela fez uma cara de nojo, desviou do corpo dele e pegou na minha mão. Eu tremia, e queria chamar pela minha mãe enquanto ela me guinchava para fora do “inferninho”.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A saga do gordo-careca

Episódio 1

Não sei se você é da classe dos que gostam de shows. Eu não gosto de verdade, aproveito só a abstração desses locais. Shows são cheios de pessoas, pessoas estas que adoram gostar de música. É claro que mesmo amando ninguém conhece todas as músicas. Eu sou o cara que nunca conhece nenhuma. Escuto o som, balanço a cabeça, finjo que sei cantar os refrões quando repetitivos (sempre erro, mas tento), imito instrumentos no ar como se soubesse tocar, pulo quando todos pulam, grito quando ouço berros. Fechar os olhos é o lance! Parece que está viajando legal. Mas nunca viajo, estou sempre pensando na maldita espinha que apareceu em minha testa, na unha encravada, no beijo que eu nunca dei na menina que eu nunca conheci.

Além de música eu também gosto de conversar. Mas só falo mentiras, nunca sou eu de verdade. Eu nem sei por que esse idiota resolveu escrever fingindo ser eu. Minha vida é, das comuns, a mais sem graça que já existiu. Quando falei que só falo mentiras é realmente só mentiras. Se alguém me pergunta se já usei drogas, eu juro de pé junto que me entorpeci com todas as existentes. Se o assunto é sexo, eu falo que o que mais gosto é de chupar perereca, sendo que na verdade eu nem sei o que é um clitóris. Quando finjo gostar de literatura argumento sobre livros que nunca li, ou então sobre aqueles que digo ser louco pra ler, mas que na verdade nunca lerei.

Eu sou uma espécie de anti-herói, mas até eles me achariam chato demais e me excluiriam do sindicato deles. Eu nem sei o que é um anti-herói, falo dessa raça de herói só porque ouvi uma vez em um programa de TV e achei a palavra linda.

Eu sou um ator, e o panaca que me inventa é o diretor. Às vezes eu não sei se eu sou ele, ou se ele é ele e eu sou ninguém. Só sei que o maldito acertou meus pensamentos desde o princípio.

Enquanto eu sou o cara condenado pela chatice, a merda que pra ti escreve é coroado rei dos melhores do mundo. Pode ser qualquer a música tocada, ele sabe de cor. Se balança seus cabelos compridos (esqueci de dizer, sou um gordo careca) ninguém o olha achando que é retardado, mas que é maluco. Ele não fingi tocar no ar, ele sobe no palco e toca, qualquer instrumento que seja, com a banda presente. Ele pode fechar os olhos e viajar de verdade, coisa que eu nunca fiz verdadeiramente. Drogas? Esse é o primeiro nome dele. Na verdade é o do meio, sexo sim é o primeiro. Sexo Drogas é um cara perfeito para o mundo das perdições. Qualquer guria fã do Kurt Cobain libera a merreca só de o ver cantar e dançar, mesmo que seja um axé bem podre.

O filho da puta é conversado. Faz amizade em qualquer buraco que se encontre, e muitas vezes isso acontece porque ele não só fala dos livros como cita trechos em voz alta e em cima da mesa. Esse maldito escritor (o narrador sou eu, onisciente e onipresente) é o cara que realmente merecia ser o dono da história. Mas não, vamos falar do pobre derrotado que não consegue nem sequer fingir que sente raiva de alguém que ele desejava muito ser.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O amor é um fio de cabelo que tem seu cheiro

Eu só escrevo sobre o amor há um bom tempo, mas o que posso fazer se é só isso que me inspira? Sei que pra muitos o amor não existe, ele acaba, ele é brega e está fora de moda, mas pra mim ele é tudo, eterno e estará sempre na moda.

Amor pra mim é pensar nela e querer envolvê-la em um abraço muito apertado que faça seus ossos estralarem. É sentir falta de seu carinho mesmo que ela só esteja 3 passos distante de você. Às vezes ele é apenas um ciúme idiota que aparece apenas por imaginar que ela talvez venha a não te querer mais um dia. Amor pra mim é você ler uma dedicatória que veio junto do livro que ela te deu, e sentir um prazer imenso só de imaginar que aquela letra é dela. É sonhar com ela escrevendo aquilo deitada na cama com uma roupa rasgada, quem sabe um pijama de pano fino , e assim sentir seu cheiro, seu gosto. E sem falar no fio de cabelo que veio de brinde e só descobri quando acabava de terminar a última página do livro tão bem escolhido por seu cérebro, que às vezes, mesmo eu não sabendo se tem como isto acontecer, é bem mais lindo que todo o seu conjunto.

O amor é tão próximo da dor que, mesmo quando você está alegre e cantarolante, consegue imaginar o como seria ruim perder aquilo que é na verdade a maior porcentagem de sua alegria. Ainda bem que como um bom masoquista eu adoro uma pontinha de dor, já que me mostra que sou apenas um pedaço de carne e estou sujeito a todo tipo de sofrimento.

Acabo por aqui, dizendo que a amo em alto e bom som pra todos meus leitores (uma minoria não necessariamente sortuda). Não que eu não tenha mais coisas pra falar sobre o amor, mas sim por ele ser tão maior que o infinito que eu simplesmente não tenho a pretensão de um dia, quem sabe, conseguir explicá-lo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Amor, intelecto-amor

Ânsia de vômito! Não sei se pela bebida em excesso, ou se pelo desgosto que desce como um fruto amargo goela abaixo.

Isso não deveria ser um primeiro parágrafo, mas será. Nem este deveria ser o segundo, mas permanecerá sendo. Não como ato de subversão à estética, mas como subversão à rebeldia. E não começarei um novo parágrafo. Este texto já começou sendo idiotamente imbecil. Pouco me importa, o que me importa agora é a dor. A dor é boa como uma coisa que deve ser gostosa. Gostosa como a dor que se sente no coração. A dor que se sente como se saísse do fundo de seu amor. O amor é algo amável. Afirmações que deveriam ser suposições. Frases que deveriam ter sentido.

Tudo dói. Meu olho dói, pedindo por uma lágrima que só saiu na hora que não precisava sair. Meu estômago revira como uma máquina de lavar na retro-lavagem. Minha mão já não sabe mais como agir. Meu cérebro já não sabe o que pensar. Se qualquer coisa que for pensada, já foi pensada, quem dirá as coisas feitas então.

Falei coisas sem falar a única coisa que me resta falar. O amor.
  Aguarde instantes enquanto vou ao banheiro forçar um vômito... Coisas lindas foram escritas em pensamento, enquanto eu jogava fora coisas que não deviam ter sido vomitadas. Coisas que se escritas, provocariam arrepios até em quem não tem pêlos para arrepiar. Coisas ridículas também foram desenhadas em meu imaginário.

Digito com meu dedo que há pouco arranhava minha garganta que deliciara um dia, um gosto que talvez jamais apreciarei novamente. Gosto que sinto saudade como nunca senti. Saudade que nunca senti nem do boneco que incendiei aos 13. Meu olho desperdiçou lágrimas. A confusão que penso é muito pior do que aquela que sinto, quando ela me pergunta em que eu penso. Ela nunca entenderia o que eu penso. Nem mesmo eu sei em que penso.

Saber é difícil. Sei sempre que não tenho conhecimento de nada que realmente tem valor. O que tem valor eu só soube quando vi um princípio de choro em um rosto que nunca vi chorar. Ver quem se quer sempre bem, esboçar um choro, já dói tanto quanto ver sua mãe – que você nunca faria chorar se soubesse o peso que têm essa lágrima – escorrer pelo rosto este líquido maldito.

Dói. Muito dói. Preferia que agora uma faca me atravessasse o ventre. Que me perfurasse o peito e me obrigasse a comer o próprio coração. São sensações que, se alguém que não existe quiser, nunca sentirás.

O vômito vem como que substituto da lágrima. Mas eu seguro, não sei se o choro ou a bile. Tudo gira. Por favor, não fale que conhece o mundo sem nunca ter sentido o mundo girar.

Viro o rosto. Vejo uma garrafa de pinga, vários livros, algumas fotos, roupas sujas. Vejo o lixo da humanidade, e escrevo isso só por achar que soaria bonito. Escrevo sentindo minha unha mal comida agarrar. Pra que, afinal? Não sei, quem sabe pra me libertar. Ficar livre de que, animal? Não sei, quem sabe da dor que tanto me dói.

Fico aos prantos ao som das lágrimas de quem não quer chorar. Escrevo coisa que acho lindas, achando horrorosas apenas por achar. E poéticas, essas coisas apenas me fazem lembrar ela, apenas ela.

As coisas que vivo, as coisas que tento não viver, tudo me remete a ela. Mas porque? (Quero que meu professor de português morra ao ver que escrevo os porques errados. Sem acento assim, igualmente parecido com os por ques que desejo para o fim).

Volto a olhar para o nada. Não vejo tudo, assim como vejo a borda de minha calça, já utilizada, suja do chão que desejara nunca ter pisado. Vejo que tudo é efêmero. Inclusive a palavra efêmero. Tão efêmera como esta, simplesmente não existe. Pretendo nunca mostrar isso pra ninguém, assim como desejo que vejam e chorem as lágrimas que não chorei pelo motivo que realmente queria.

Lembro dela quando queria lembrar de mim. Lembro da minha felicidade, proporcionada por ela, como deveria rever uma pessoa que tanto me quis. Penso que ela já não me deseja na mesma proporção que desejo que ela sinta a felicidade que não existe. Paro de escrever quando deveria começar a escrever sobre alguém que, definitivamente – falo isso com a convicção de alguém que mata por desejo de matar – sabe como me fazer sorrir. Fim.

Linda palavra afinal. (É agora que volto a pensar, muito pensar, quase desfalecer, e concluo que não pode haver um final aqui)

Apenas um desabafo

Existem pessoas que se destacam muito quando se vê, e a 1ª impressão que se tem é de uma pessoa intocável. Eu tenho uma mania horrível de julgamento, por mais que eu saiba que sou um merda, eu sempre julgo e rotulo a todos. Primeiro eu encaixo elas dentro de algum padrão, e só então penso se é alguém conversável ou não.

Existe também uma menina. Eu a vi pela primeira vez e pensei: “Ih! É Cult. Esnobe, vai conversar comigo me chamar de idiota e ficar torcendo o nariz o resto da vida. É melhor eu nem cumprimentar ela.” Mas aula vai, aula vem. Bares vão, bares vem (E ela gosta de um bar), e eu acabei esquecendo do rótulo e fui tomar cachaça com ela. E foi aí que algo maravilhosamente estranho, ou estranhamente maravilhoso, aconteceu.


Ela me beijou, e foi ela mesmo, eu estava bêbado e se são já não reajo, nessa condição então, eu sou um vegetal. Quando o álcool passou, eu fiquei super feliz, até porque ela era intocável, e eu não acho alguém intocável atoa. Ela era linda, e tudo quanté adjetivo legal que tem no mercado. Mas ela ... ela mal lembrava de mim. Mentira, ela lembrava, mas sabia que só tinha feito aquilo por causa da bendita pinguinha que, estrategicamente ou não, eu ofereci.


Quando a gente se encontrou novamente foi aquela coisa. Eu havia pensado nela o tempo inteiro, e quando a avistei chegando meu coração bateu mais rápido e eu comecei a suar. Virei a cara, fingi que não tinha visto. Só bem mais tarde fui tentar conversar, aquele papinho de angu, como quem não quer nada. Mas aí eu fui perdendo um pouco a vergonha, e me ofereci pra levá-la ao ponto. Foi aí que outro beijo aconteceu. Foi horrível, eu quase tive que segurar a cabeça dela pra beijar. Por ter percebido que ela nem me queria fiquei nervosíssimo, beijei mais ou menos igual da primeira vez que havia beijado alguém na vida. Mas foi bom, eu passei a acreditar que estivesse ficando com ela. Algo me convenceu disso.


Mas então as coisas foram passando, e ela só fugindo de mim. Mas eu não sei como (com toda a minha feiúra, que acaba virando charme) eu “conquistei” ela. E tudo foi se passando bem, apesar de várias desavenças que foram seguidas de quase “términos” por parte dela. 1 mês, 2 meses, 3, 4, e pronto: eu peço ela em namoro (apesar de já desejar fazer isso desde o 2º mês). Foi legal, algo bem diferente do normal, eroticamente romântico sabe. Foi lindo.


Pouco a pouco eu ia conhecendo ela, pisei na bola várias vezes, mas ela também não era santa. Essa coisa de namoro é difícil, fica mais fácil machucar o outro. Mas a gente foi superando, eu aprendendo com ela e ela aprendendo comigo. Da mesma forma que eu me apaixonei antes, eu fiz tudo antes (literalmente tudo) e isso me fazia achar sempre que ela nem ligava pra mim. Mas ela realmente foi me mostrando que gostava de mim. E nós vivemos momentos lindos. Eu passei a amá-la. Mas isso era até doído, por achar que ela nem pensava em me amar (ela sempre dizia que nunca havia amado ninguém). Até que um dia essa palavra, que tanto me amedrontava, saiu da minha boca. Mas eu custei a repeti-la, até o dia em que ela, a cachaça, fez ela revelar que também me amava.


Bem que Jesus falava, amar e ser amado é do caralho, logicamente que ele disse com outro vocabulário. O que importa é que tudo ficou mais colorido de repente. As pessoas podiam passar ao meu lado, me chamar de gordo e cuspir em mim que eu simplesmente olharia de volta pra ela e sorriria.


Mas foi então que algo aconteceu. O amor me cegou e me fez acreditar que tudo seria perfeito e lindo pra sempre. E a cegueira me fez falar besteiras, esquecendo que ela também tinha com o que se chatear. E ao ouvi-la dizer que a chateei por ter falado besteira, a cegueira me fez perder a cabeça e me fez agir quase que como o babaca que bate na mulher e acha que está certo (lógico que eu não bati nela). E isso foi a última coisa que posso dizer, pois do passado já cheguei ao presente, e falar do presente é sempre mais complicado.


Ser amado e ferir o seu amor é como pegar uma faca quente e tentar atravessar a sua genitália. Dói, e arde. Mas arde no peito. E arde mesmo. Aquele ardor de uma vontade de chorar. São as lágrimas, contidas por orgulho, fazendo um tumulto de revolta por querer sair de dentro de você. E se arrepender é uma coisa difícil. Eu me arrependi, e falei com ela. Mas ela não reagiu como eu desejava. E é só por causa disso que estou aqui, escrevendo esse quase manifesto de amor. Pra mostrar o meu arrependimento e tentar calar essa dor no meu peito. É só pra tentar mostrar pra ela que eu a amo e abro mão do meu orgulho e até me derramo em lágrimas por causa dela. Tentar dessa maneira conseguir seu amor de volta. Mas esse final é só pra mostrar pra ela q ela é você, e que na verdade eu amo é você. 

Muito para pouco dizer

O que fazer se nela eu penso o dia inteiro? Querê-la só para mim não é nada demais quando minha mente já é ela. Por quê me apaixonei? Não sei. Pra isso não existe explicação. Eu bem que tentei me segurar, mas acabei me entregando, e não foi só porque ela pediu que eu me entregasse, foi meu coração quem quis. Como dizer não a um coração apaixonado? É como negar doce a uma criança faminta com lágrimas nos olhos.

 

Ela, com suas manias, seus passados, suas loucuras, e todos esses clichês que qualquer apaixonado repara, acabou por fisgar meu coração, que há muito não batia por alguém. Hoje ele bate por ela, eu suspiro por ela, eu anseio e desejo só ela.

 

A liberdade já pouco me importa, pois, nos seus braços, em seus seios, em seu eu, tudo é liberdade. Se antes tudo que sempre desejei foi a liberdade, hoje, é só ela que me causa arrepios de vontade.

 

Ela faz coisas que só ela sabe fazer, ela fala como só ela sabe falar, faz caras e bocas que me levam a loucura. Pode parecer que isso é apenas o relato de mais um apaixonado, e que provavelmente ela não sinta tudo o que eu sinto por ela, mas isso pouco importa. Não me importa se ela também me vê como eu a vejo, o que me importa é o simples fato de ela me ver. Eu quero sim que ela me ame, que ela me deseje, mas já sou mais feliz sabendo que ela existe e sabe da minha existência, tudo é melhor do que o não ser.

 

Ela pode dizer que não é minha, mas terá que entender que nessa minha pobre cabeça apaixonada eu sou dela, e ela é minha. Na verdade nós somos eu, duas coisas tentando ser uma só. Meus atos não são extensão dos meus sentimentos, eu ajo até aonde meu corpo suporta, pois a paixão que existe na minha cabeça é impossível de ser expressada.

 

A única hora em que me sinto completo é quando estou dentro dela, estar nela, agarrado a ela, é simplesmente lindo. Raras vezes consigo perceber que exista amor e sexo numa coisa só, mas com ela é isso que eu sinto. Quando toco seu corpo suado, e sinto suas unhas percorrerem minhas costas a sensação é de total êxtase, é um ápice de sensações maravilhosas. Minha língua adora a sua língua, minhas pernas adoram as pernas dela. Mas também, a minha língua adora as pernas dela, e a minha perna adora a sua bunda, e meus olhos adoram seus seios, assim como o meu peito adora a sua língua e meu ouvido adora seus gemidos e palavras.

Tudo numa coisa só. É isso o que ela é pra mim, um tudo. Ela sou eu, ela é você, ela é uma divindade ainda não descoberta. Na verdade eu já descobri então, ela é minha divindade. Pobre ilusão, quem me dera ela fosse só minha. Ela mesma vive a me dizer que nem dela é, quem dirá minha. Mas uma única certeza vocês podem ter, eu sou dela.